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Aproveitamento Integral dos Alimentos

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Aproveitamento Integral dos Alimentos


Você joga fora talos, cascas, folhas? Que tal fazer o reaproveitamento de alimentos para se beneficiar de tudo que eles podem lhe oferecer?

Grandes quantidades de alimentos são desperdiçadas, às vezes porque simplesmente não sabemos como encaminhá-los a quem precisa. E no preparo de refeições, descartamos muitas partes dos alimentos que podem ser consumidas, e que muitas vezes contêm mais nutrientes do que aquelas que utilizamos. Podemos mudar essa história?

De acordo com Raúl Osvaldo Benítez, representante regional da FAO para a América Latina e o Caribe, no âmbito mundial, cerca de 1.300 bilhões de toneladas de alimentos produzidos por ano para o consumo humano se perde ou é desperdiçado. A FAO calcula que de tudo o que é jogado fora, apenas 25% já seria suficiente para abastecer a população com fome.

Há diversas práticas para diminuir esse desperdício. Uma delas é o chamado Aproveitamento Integral dos Alimentos (AIA), que pode aumentar a densidade nutritiva das preparações alimentares, auxiliar no combate à fome, e ainda reduzir a quantidade de lixo produzido, por meio da utilização total do alimento e de todas as suas partes, como as cascas, folhas, sementes e talos, que geralmente são desprezados, apesar de ricos em nutrientes.

O conceito do não desperdício e do AIA pode e deve ser realizado no dia a dia por qualquer pessoa. Eliminar os preconceitos de que esse tipo de alimentação é somente para população de baixa renda é essencial para a mudança de hábito.

Assim, tanto o melhor aproveitamento de alimentos em casa como a distribuição desses excedentes são fatores essenciais para o combate ao desperdício alimentar.

 

Algumas iniciativas sociais atuam no combate à fome e ao desperdício de alimentos. Você já ouviu falar delas?

Banco de Alimentos

A ONG Banco de Alimentos foi criada em 1999, com o objetivo de combater o desperdício de alimentos e minimizar os efeitos da fome. Os alimentos distribuídos são excedentes de comercialização e produção, que estão fora dos padrões pré-determinados mas ainda perfeitos para o consumo. A distribuição possibilita a complementação alimentar a todas as pessoas assistidas pelas mais de 40 instituições cadastradas no projeto.

Atuam em três frentes: a colheita urbana, a educação e a conscientização da própria sociedade.

Conversamos com Jessica Lima, nutricionista responsável técnica na ONG. Ela nos conta que o objetivo do trabalho que realizam “é permitir que um maior número de pessoas tenha acesso a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente para uma alimentação equilibrada e saudável”.

E o que deu origem a essa iniciativa? Jessica explica que “em 1998 tínhamos [no Brasil] mais de 50 milhões de pessoas vivendo, mensalmente, com metade de um salário mínimo e um contingente de 27 milhões de indigentes. Na época ainda não se tinha o conhecimento que os alimentos desperdiçados poderiam ser usados de alguma forma por essas pessoas”.

Hoje é tudo muito diferente. Os números que Jessica nos apresenta são animadores: “A ONG redistribui por mês em média 50 toneladas de alimentos, sendo que no ano de 2017 cerca de 610 toneladas de alimentos deixaram de ser desperdiçados e serviram para alimentar mais de 20 mil pessoas.

Comida invisível

Criada em 2015, a empresa social Comida Invisível atua na conscientização e educação para o combate ao desperdício de alimentos, por meio de palestras, eventos e treinamentos. No entanto, mais do que tudo, é um ponto de contato entre quem tem e quem precisa. Tudo funciona a partir de um aplicativo, que faz uma ponte entre empresas dispostas a doar comida (restaurantes, supermercados, hotéis e outros estabelecimentos) e ONGs que distribuem alimentos para pessoas em vulnerabilidade social, disponibilizando alimentos in natura impróprios para o comércio, mas ainda próprios para o consumo.

Na página do Facebook do Comida Invisível, encontramos um alerta sobre a doação de alimentos, ressaltando que ela não é proibida por Lei, como muitos pensam. “A única questão é o receio do restaurante em relação à responsabilidade pelos alimentos doados.” E completam que existem no Congresso Nacional em tramitação 30 projetos de lei que visam a repensar essa questão.

 

Outras iniciativas para reaproveitamento de alimentos e combate ao desperdício

Entre tantas outras ações, podemos citar os bancos de alimentos públicos municipais e o Mesa Brasil, que fazem o mesmo trabalho de combate ao desperdício de alimentos espalhados por todo o país.

 

Aproveitamento Integral dos Alimentos (AIA): na prática, você sabe como aproveitar tudo, tudo mesmo?

Jessica Lima sugere que um maior esclarecimento à população, divulgando o valor nutricional dos alimentos, que muitas vezes está presente nas partes não convencionais – como cascas, entrecascas, talos, sementes ou folhas – poderia maximizar o reaproveitamento alimentar.

 

Assim, aqui vão algumas dicas de aproveitamento dos alimentos:

  • Os talos de couve, agrião, beterraba, brócolis e salsa, entre outros, contêm fibras e devem ser aproveitados em patês, refogados, recheios, no feijão, na sopa, etc.
  • Os talos do agrião contêm grande concentração de ferro, cálcio e vitamina C.
  • As folhas da cenoura são ricas em vitamina A e podem virar bolinhos, sopas ou podem ser picadinhos em saladas.
  • A água do cozimento das batatas, beterraba, cenoura, entre outros, concentra as vitaminas hidrossolúveis, que podem enriquecer purês, arroz e gelatinas.
  • As cascas da batata e da mandioquinha podem ser assadas em forno ou fritas em óleo quente e servidas como aperitivo.
  • A casca da laranja é rica em cálcio e pode ser usada caramelizada ou em pratos doces à base de leite (arroz doce e cremes).
  • As partes brancas (entrecasca) da melancia e do melão são ricas em fibras e potássio; podem ser usadas para fazer doces e no preparo de recheios salgados.
  • Com as cascas das frutas – goiaba, mamão e abacaxi, por exemplo –, pode-se preparar sucos no liquidificador. O bagaço do suco (que sobra na peneira) pode ser aproveitado para preparar brigadeiros e bolos.



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