Alimentação em Foco Menu
Combate ao desperdício de alimentos: qual é a responsabilidade do consumidor final?

Compartilhar com Facebook Compartilhar com Twitter Compartilhar com Google+ Compartilhar com LinkedIn Compartilhar com Pinterest

Combate ao desperdício de alimentos: qual é a responsabilidade do consumidor final?


Tecnologia, novas leis, qualificação de mão de obra e outras iniciativas vêm sendo implantadas no Brasil, e na maior parte dos países, com o objetivo de diminuir o desperdício de alimentos.

Mas qual a nossa responsabilidade como consumidores finais e quais hábitos podemos incluir no nosso dia a dia para minimizar esse desperdício de comida?

Como evitar o desperdício de alimentos por meio do consumo sustentável?

Fome zero até 2030: esse é um dos principais desafios que fazem parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU em 2015, por ocasião da Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. Um acordo que, entre outros itens, pretende assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis em todo o mundo.

Para tanto, o acordo prevê, em sua meta 12.3, “reduzir pela metade o desperdício de alimentos per capita mundial, nos níveis de varejo e do consumidor, e reduzir as perdas de alimentos ao longo das cadeias de produção e abastecimento, incluindo as perdas pós-colheita”.

Para cumprir essa meta, a FAO Brasil e o governo brasileiro criaram em 2017 um comitê que elaborou uma estratégia para a redução das perdas e do desperdício de comida no país, a ser publicada ainda em 2018, e que deverá caminhar em paralelo com a ampliação do acesso da população a uma alimentação sustentável, adequada e saudável.

Alcione Silva, engenheira de alimentos com histórico de atuação em áreas que buscam soluções de impacto social e ambiental no país no que diz respeito a essas questões, hoje membro do Comitê Executivo da Safe Food Brasil e fundadora da Connecting Food, sugere que, muitas vezes, o desperdício de alimentos é um problema relacionado à ineficiência das cadeias de distribuição. Instituições nacionais ou internacionais têm sido criadas exatamente para minimizar as falhas nesse processo.

 

O braço brasileiro da Save Food – esta uma iniciativa de âmbito global –, é um exemplo de instituição que tem o objetivo de organizar discussões técnicas e ações sobre o tema, com representantes da cadeia de alimentos e da sociedade civil brasileira, além de realizar um levantamento de boas práticas nacionais.

 

Soluções para combate ao desperdício alimentar

A Connecting Food, como nos diz Alcione, é uma empresa de impacto social que visa a prover soluções para a redução das perdas e desperdício de alimentos, por meio de ações como a conexão entre redes de supermercados com excedentes de estoques de alimentos e a distribuição desses alimentos para organizações sociais. A empresa já arrecadou mais de 7 toneladas de alimentos em poucos meses de atuação.

 

 

Várias outras iniciativas estão em curso no Brasil e, de acordo com Alcione Silva, um extenso conjunto de ações para a redução das perdas e do desperdício de alimentos desenvolvidas em outros países podem servir de exemplo e/ou inspiração para nós. Destacam-se as inovações tecnológicas, como aplicativos de “food sharing” (https://olioex.com) ou de “inventory management” (https://www.spoileralert.com), ou mesmo práticas nas cadeias de distribuição ou varejo. Em 2016 a Itália também

A fome, presente em muitos países, e não necessariamente apenas naqueles mais subdesenvolvidos, deve-se grandemente à má distribuição de renda — uma consequência de políticas públicas inexistentes ou mal formuladas. Mas é inegável que, diante de tamanha carência, a sustentabilidade na produção e no consumo de alimentos adquire uma importância primordial como uma das respostas possíveis para esse problema.

Como a sustentabilidade ajuda no combate ao desperdício de alimentos?

Sustentabilidade implica em redução de perdas e desperdício de alimentos — entendendo-se a perda como aquela que ocorre antes do consumo e o desperdício como o que se dá já no próprio nível do consumo —, o que requer um zelo maior quanto aos processos produtivos de plantio, colheita e distribuição (incluindo a qualificação de mão de obra), além de uma maior conscientização do consumidor, bem como alterações de legislação.

Influenciados por padrões sociais e culturais, nossos hábitos de consumo nem sempre são sustentáveis. É fundamental, porém, que o planejamento alimentar, a compra e o consumo sejam realizados de forma consciente. Assim, no nosso dia a dia, podemos adotar alguns hábitos que colaboram para a diminuição do desperdício de alimentos. Aqui vão algumas dicas.

Hábitos que ajudam na diminuição do desperdício

  • Planeje suas refeições, preparando o cardápio da semana. Faça então a sua lista de compras e evite comprar por impulso. Além de diminuir suas despesas, você contribuirá para a redução do resíduo de alimentos.
  • Utilize frutas, legumes e verduras que podem apresentar tamanho, formato ou cor “inadequados”, mas que preservam as qualidades nutritivas para o consumo.
  • Não encha seu prato de comida. Melhor se servir novamente do que sobrar.
  • Reduza a quantidade de restos de comida jogados no lixo e faça compostagem caseira, utilizando em suas plantas o húmus resultante do processo. Assim você contribui para a diminuição de lixo orgânico que vai para aterros e que dá origem a gases que poluem a atmosfera.
  • Controle a sua despensa. Cozinhe e coma antes o que você comprou primeiro. Guarde os alimentos pela ordem de data de validade – os que vencem antes devem ser colocados na frente.
  • Crie receitas a partir de sobras de refeições. Use a criatividade para reciclá-las em sopas, saladas, tortas e outros pratos.
  • Congele as sobras de refeições, assim como produtos frescos, se você souber que não vai consumi-los logo, para poder usá-los quando for conveniente.
  • Há muitos que não têm o que comer. Produtos alimentícios não perecíveis ou perecíveis apropriados para o consumo podem ser doados para pessoas carentes e entidades assistenciais.
  • Aproveite cascas de frutas e de legumes, sementes e talos dos alimentos, que têm grande valor nutritivo e permitem variações no cardápio. Prepare refogados, saladas, caldos, sopas, compotas, etc.
  • Se verduras e legumes apresentarem partes estragadas, corte-os, lave bem o que pode ser aproveitado e utilize em suas refeições.
  • Escolha frutas, verduras e legumes sem manipulá-los. Só pegue o alimento depois de decidir o que vai comprar. Assim, o produto será preservado por mais tempo.
  • Procure sempre saber qual a maneira correta de armazenar cada alimento para aumentar a durabilidade – dentro ou fora da geladeira; num saco plástico ou num pote de vidro; na geladeira ou no freezer; etc.

É sempre bom lembrar que, como alerta Alcione, “O poder da mudança está certamente nas mãos do consumidor. Precisamos dar maior atenção ao impacto do nosso comportamento no consumo de alimentos. Existem muitas informações disponíveis para agir sobre esses aspectos, mas é necessário interesse e engajamento do público”. E um bom ponto de partida para isso é a própria iniciativa Save Food Brasil. Para saber mais, é só escrever para contato@savefoodbrasil.org.

Que tal, então, procurar sempre se informar e participar de ações que conectam as pessoas, promovem discussões e disseminam informações sobre esse tema? Podemos sim ajudar!




O que você procura?





fechar

Obrigado!


Seu cadastro foi realizado com sucesso.



fechar
Loading