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“Educação nutricional é o melhor caminho para o equilíbrio”, diz diretor do Centro de Excelência contra a Fome

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“Educação nutricional é o melhor caminho para o equilíbrio”, diz diretor do Centro de Excelência contra a Fome


Atuando em mais de 30 países, o Centro de Excelência contra a Fome, parceria do governo brasileiro com o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas da ONU, ajuda governos a estruturaram programas de alimentação escolar, a partir da experiência brasileira.

Em entrevista ao Alimentação em Foco, o diretor do Centro, Daniel Balaban, fala da importância da educação nutricional para a construção de hábitos de vida saudáveis, combatendo problemas como a desnutrição infantil e a obesidade.

O diretor fala ainda sobre os desafios do programa de alimentação escolar brasileiro, que está presente em mais de 160 mil escolas públicas do País, atendendo cerca de 45 milhões de estudantes.

Alimentação em Foco: O que é o Centro de Excelência contra a fome e porque ele foi criado?

Daniel: O Centro de Excelência Contra a Fome é uma parceria do governo brasileiro e do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (ONU). Os dois trabalham em conjunto para ajudar outros países a criarem programas sustentáveis de alimentação escolar. Durante muitos anos, o Brasil foi tido como um exemplo a ser seguido em termos de programas de alimentação escolar. O programa brasileiro foi premiado pelas Nações Unidas e é considerado um dos melhores do mundo porque é universal, abrange a educação nutricional, ou seja, ele é realizado por nutricionistas, e proporciona uma alimentação balanceada às crianças. É um programa que também promove o acesso a alimentos frescos porque exige a compra de 30% dos produtos diretamente da agricultura familiar. Com isso, ele ajuda a dinamizar a economia local.

Alimentação em Foco: Qual a abrangência do programa brasileiro?

Daniel: Tem uma abrangência muito grande, pois atende desde creches até o final do Ensino Médio. Atualmente são em torno de 45 milhões de estudantes atendidos todos os dias nas cerca de 160 mil escolas públicas do Brasil. São aproximadamente 65 milhões de refeições por dia.

Alimentação em Foco: E como está sendo o apoio a outros países?

Daniel: Hoje o Centro trabalha com mais de 30 países na América Latina, África e Ásia, na elaboração de políticas nacionais de alimentação escolar.

Alimentação em Foco: A alimentação escolar é um caminho para combater a fome e desnutrição infantil?

Daniel: Exatamente isso. Temos vários estudos que mostram isso tanto no Brasil quanto em outros países. Especificamente no Brasil, estudos feitos por universidades nacionais e estrangeiras apontam que a alimentação servida nas escolas públicas é, do ponto de vista nutricional, mais adequada do que a alimentação oferecida nas casas dessas crianças. As escolas privadas estão seguindo este modelo, proibindo uma série de alimentos que não são adequados a uma boa nutrição infantil.

Alimentação em Foco: Você comentou a respeito da obrigatoriedade de 30% desses alimentos serem adquiridos diretamente de agricultores familiares. Isto está sendo cumprido no Brasil todo?

Daniel: Hoje, praticamente todos os municípios do Brasil compram alguma coisa da agricultura familiar. Alguns extrapolam os 30% e estão comprando muito mais, 60, 70, 80%. Outros não conseguem suprir os 30% devido a oferta, a logística. Na média, as compras estão chegando perto dos 30%. Na realidade essa lei é muito nova, foi aprovada no final de 2009, e os municípios e os estados precisam de tempo para se adequar. Hoje diria que nós já estamos muito próximos de ter 30% de tudo que é adquirido pela alimentação escolar vindo da agricultura familiar.

Alimentação em Foco: Saímos do mapa da fome e entramos num quadro de obesidade. Qual o papel da educação nutricional neste contexto?

Daniel: A educação nutricional é o melhor caminho para o equilíbrio e para que as pessoas aprendam a fazer escolhas nutricionalmente balanceadas e adequadas. Acho que a partir do momento em que as pessoas começam a entender os tipos de alimentos que existem, que passam a ler os rótulos para ver a quantidade de sódio, de açúcar, se tem glúten ou não, que pesquisam junto aos nutricionistas o que é mais indicado para cada um, começamos a ter um novo panorama. Na escola, conversando sobre a qualidade dos alimentos, para que serve cada alimento, porque temos que isso ou aquilo…. Isso tudo hoje já está sendo trabalhado em várias escolas. As crianças aprendem desde o início a ter uma alimentação adequada e, no futuro, conseguirão manter um hábito saudável. É uma questão de costume.

Alimentação em Foco: Quando se fala em educação nutricional, o que vocês consideram importante?

Daniel: É importante um hábito geral baseado na saudabilidade. Não adianta apenas pensarmos no que se come, mas em como se vive. Tudo tem que ser balanceado. A criança precisa ter o hábito de fazer exercícios físicos. É importante que nós tenhamos a clareza de que nós temos que ter um equilíbrio holístico. Não adianta uma coisa só funcionar se você não combina com outros fatores da sua vida. Então é importante ter uma vida equilibrada, ter uma alimentação equilibrada, fazer exercícios físicos e, de vez em quando, tirar um tempinho para umas meditações, para evitar o estresse do dia-a-dia.

Alimentação em Foco: Na questão da educação nutricional, o Brasil pode ser considerado um modelo?

Daniel: Lógico. Eu só vou acrescentar que os programas têm que ser aperfeiçoados a cada ano. Várias escolas já têm educação nutricional, mas o mais importante é a capacitação dos professores para que eles saibam trabalhar esse conteúdo em sala de aula. Não adianta o professor falar que é bom comer fruta, legumes e saladas se ele mesmo não come. O professor tem que dar o exemplo. Então é importante a formação e a capacitação dos professores para que eles saibam responder as perguntas que, fatalmente, existirão. Várias escolas fazem isso e várias ainda estão em processo de organização.

Alimentação em Foco: Você falou que é preciso continuar trabalhando para manter a excelência do programa brasileiro. Quais são os outros desafios? O combate à corrupção é um deles?

Daniel: O combate à corrupção é e sempre foi um dos maiores desafios porque o programa de alimentação escolar tem um orçamento muito grande. Só do Governo Federal são quase U$ 2 bilhões. E onde tem dinheiro, existe tentativa de desvio. Sempre, em qualquer lugar do mundo, isso não é privilégio do Brasil. O que cabe aos setores públicos é fiscalizar para evitar os desvios. Um avanço neste sentido foi a criação dos Conselhos de Alimentação Escolar – obrigatórios e formados por representantes de pais, de professores, de alunos e de pessoas da sociedade civil. Os Conselho têm o poder de fiscalizar, podem entrar em qualquer escola, a qualquer instante, para conferir a qualidade do que está sendo servido. O governo federal não tem como estar presente em todas as escolas e municípios para ver o que acontece. Agora os conselheiros sabem quando não há uma alimentação adequada, porque seus filho contam que não teve comida na escola ou que estava ruim. Assim os problemas começam a ficar visíveis. Hoje, no Brasil, eu diria que houve uma melhora. O gestor pensa dez vezes antes de desviar o recurso da merenda. Existe um consenso de que esses recursos são sagrados, então acho que o Brasil tem conseguido chegar num bom patamar. Logicamente, temos que continuar a trabalhar muito fortemente nessa questão da capacitação dos Conselhos e dos professores para que a coisa continue funcionando bem.

Clique e conheça mais sobre o Centro de Excelência contra a Fome.




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