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Entrevista O Brasil fora do mapa da fome

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Entrevista O Brasil fora do mapa da fome


Em 2015, o Brasil finaliza a implantação de seu primeiro Plano de Segurança Alimentar e Nutricional, elaborado em 2011, e deve concluir, também neste ano, a proposta para um segundo plano. As iniciativas com foco na alimentação se viram reforçadas com a saída do país do Mapa Mundial da Fome, em 2014 – um dos destaques da Segunda Conferência Internacional de Nutrição , realizada em Roma.

Para Alan Bojanic, é preciso transmitir a experiência nacional para que outros países façam o que o Brasil tem feito para sair do mapa da fome.

Em entrevista concedida ao Alimentação em Foco, ele comenta os recentes resultados do país no combate à fome, explica a metodologia aplicada no cálculo do índice de subalimentação e os desafios de manter a posição alcançada daqui para a frente.

Confira:

Alimentação em Foco – Segundo dados da FAO, na última década, 15,6 milhões de brasileiros abandonaram a condição de subalimentação, um recuo de 82,1%. O que explica essa redução tão forte do número de subalimentados no Brasil?

Alan Bojanic – Foi um processo, não tem uma só explicação. O fato de a segurança alimentar ter sido um tema central do primeiro mandato do presidente Lula, a disponibilização de recursos, a criação de um ministério com esse foco e, posteriormente, a implementação de programas contribuíram para se chegar a este patamar. É importante ressaltar também que o Brasil já tinha um processo em curso antes dessas medidas. Nomes como o do Betinho e do Josué de Castro se destacam. Eles já colocavam o tema da segurança alimentar em seus discursos. Portanto, é um processo do povo brasileiro, é um tema que sempre foi muito querido pelos brasileiros. No início deste milênio, o país começou a ter os recursos, a institucionalidade e os programas que compõem o Fome Zero, os programas de transferência de renda, os programas com apoio para a agricultura familiar, como o Pronaf e muitos outros. Todas as políticas têm contribuído e também há o compromisso dos Estados, que, temos que reconhecer, também colocaram recursos, criaram uma institucionalidade. Temos os Conseas estaduais e municipais, o que demonstra um movimento orientado pelo governo federal, mas com muita participação da sociedade civil. Isso é que faz o caso brasileiro um caso interessante.

Alimentação em Foco – O que exatamente significa dizer que o Brasil saiu do Mapa da Fome? Você poderia explicar um pouco sobre a metodologia aplicada no cálculo do índice de subalimentação?

Alan Bojanic – É um critério que, quando a porcentagem de pessoas que passam fome está abaixo de 5%, aquele país não tem mais o problema de fome estrutural. Os países podem ainda enfrentar dificuldades, mas não há o problema estrutural e por isso é considerado como uma nação livre da fome. O mapa da FAO é elaborado todos os anos em parceria com o Programa Mundial de Alimentos. Os países são divididos em cores, aqueles que têm mais problemas ficam em vermelho, outros podem ficar rosa ou branco. Sair do mapa da fome significa não estar mais com as cores avermelhadas que estavam antes. Sobre a metodologia, ela consiste em calcular o consumo calórico, quantas calorias uma pessoa está consumindo por dia. Quando uma pessoa consume menos de 2.000 calorias por dia – levando em consideração as diferenças entre homens, mulheres e crianças -, dizemos que a pessoa está em uma situação de subalimentação.

Alimentação em Foco – O indicador da FAO leva em conta o número adequado de calorias para cada pessoa, de acordo com o gênero e a faixa etária dos diferentes segmentos sociais. É possível saber, via esse indicador, o quão equilibrada é a dieta de cada povo?

Alan Bojanic – Não. É um indicador muito geral, voltado apenas para medir as calorias e, portanto, é considerado um dado grosso. São necessários outros indicadores para medir a qualidade, as vitaminas, os minerais, as proteínas. Para isso é preciso outro cálculo, envolvendo exames de sangue, medições antropométricas.

Alimentação em Foco – Quais os desafios que o Brasil deve estar preparado para enfrentar daqui para a frente?

Alan Bojanic – Em primeiro lugar, permanecer nessa situação e não voltar à faixa acima dos 5%. Para isso é necessário manter o nível de investimento social e os programas em curso. Outro desafio é melhorar a situação da população de um pouco mais de 3 milhões de brasileiros que ainda vivem em insegurança alimentar e que precisam deixar totalmente esse estado. Para isso são necessárias políticas mais bem orientadas, que sejam específicas para os grupos vulneráveis. E ainda, o Brasil precisa transmitir a experiência nacional para que outros países façam o que país tem feito para sair do mapa da fome.




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