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Hábitos alimentares no Brasil: conheça a cultura em cada região brasileira

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Hábitos alimentares no Brasil: conheça a cultura em cada região brasileira


Em nosso país de enorme território, de tão diversas culturas, de tanta variedade de climas e solos, e consequentemente com tanta oferta de alimentos, cada região desenvolveu hábitos alimentares característicos, por conta tanto da disponibilidade de alimentos quanto da cultura local.

Essa fartura, desde que adequadamente distribuída, nos permite uma boa alimentação, refeições saudáveis e pratos criativos.

A alimentação brasileira de raíz tem matriz portuguesa, em associação com as culinárias indígena e africana, numa mescla à qual se incorporam os ingredientes da terra. De acordo com Guilherme Bonamigo, coordenador do curso de pós-graduação em Gastronomia: história e cultura do Senac, as imigrações que aconteceram a partir do fim do séc. XIX – como a italiana, japonesa, alemã, árabe e tantas outras – tenderam também a influenciar o cardápio brasileiro com suas novas culturas, mas, por sua vez, também tiveram de se adaptar aos ingredientes disponíveis em solo brasileiro.

O Brasil é um prato cheio no que diz respeito à disponibilidade de ingredientes, a influências históricas e culturais, à oferta de sabores e, consequentemente, à possibilidade de mantermos uma alimentação saudável e equilibrada.

 

Mas, quais ingredientes se destacam na cultura alimentar de cada região brasileira?

Região Norte

De influência nitidamente indígena, a gastronomia da região norte é tão farta quanto a sua riqueza de recursos naturais, fornecidos tanto pela floresta amazônica quanto pela abundante bacia hidrográfica.

Ingredientes:

  • Mandioca-brava: com ela se faz uma infinidade de farinhas, como a farinha d’agua, a farinha amarela e a tapioca, e dela também se extrai o tucupi, um molho que tempera inúmeros pratos amazônicos.
  • Pirarucu: um dos maiores peixes de água doce do planeta, que pode atingir 3 metros e 200 quilos, é tradicionalmente vendido nos mercados em mantas salgadas, secas ao sol. É conhecido como “bacalhau da Amazônia”.
  • Açaí: altamente energético, é consumido hoje em todo o país e até nos Estados Unidos, para onde foi levado por surfistas. É servido na região em sua forma original: numa cuia, com farinha de tapioca.
  • E mais: guaraná, cupuaçu, castanha-do-pará, pimentas, e outros.

 

Região Nordeste

A costa toda banhada pelo Oceano Atlântico fornece uma quantidade imensa de frutos do mar. O clima tropical do litoral propicia a cultura de muitas variedades de frutas, enquanto o semiárido do sertão, no interior da região, tem como característica o consumo da carne-seca. A influência africana se faz sentir, especialmente na Bahia.

Ingredientes:

  • Peixes e camarões: servidos em forma de moqueca, peixadas e caldeiradas. O acarajé, o prato mais típico da Bahia e considerado como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN, leva camarão seco em sua composição.
  • Azeite-de-dendê: conhecido também como óleo de palma, e com alto teor de vitaminas e sabor acentuado, entra na preparação de bobó de camarão, acarajé, vatapá, farofas, moquecas, caruru.
  • Tapioca: consumida em forma de crepe, recheada usualmente com queijo coalho, coco ou apenas manteiga, faz parte da cultura de Pernambuco e é encontrada especialmente em Olinda, onde as tapioqueiras se espalham por todos os cantos.
  • Castanha-de-caju: No Rio Grande do Norte se encontra o cajueiro de Pirangi, considerado o maior cajueiro do mundo, que chega a produzir 80 mil cajus por ano. Dele consumimos a castanha e fazemos sucos, doces, geleias, etc.
  • Pimenta malagueta: com alto grau de picância, é estimulante e energética. Utilizada tanto nas comidas de origem africana, como indígena e portuguesa, ela se tornou um ingrediente onipresente na cozinha baiana.
  • E mais: pitanga, graviola, pitomba, coco, cacau, jerimum (abóbora), e outras.

 

Região Centro-Oeste

Ali convivem três biomas – Amazônia, Cerrado e Pantanal – que proporcionam uma variedade de vegetação e recursos hídricos bastante favoráveis à rica agricultura e pecuária que se desenvolvem na região centro-oeste.

Ingredientes:

  • Pequi: fruto que deve ser comido com cuidado, pois possui espinhos entre a polpa e o caroço, que devem ser raspados antes de comer, é consumido cozido, puro, misturado com arroz, frango, ou mesmo em forma de licor, e outras.
  • Pintado: um dos peixes de água doce mais consumidos no Brasil, na região é preparado como um ensopado em panela de barro, com mandioca e ervas, mas é também é preparado na brasa, assado ou frito.
  • Banana-da-terra: é a única espécie de banana nativa do país e é a maior de todas. Muito utilizada em farofas e pirões, fritas ou assadas.

 

Região Sudeste

A região sudeste recebeu um número enorme de imigrantes, que agregaram seus hábitos alimentares e tradições culinárias às três culturas que formavam a nossa base alimentar.

Ingredientes:

  • Milho: utilizado como base da alimentação tupi-guarani, hoje faz parte das “quitandas” mineiras, em forma de broas de milho, pamonha, curau, bolo de fubá e etc. Acrescente-se, em São Paulo, o tradicional cuscuz paulista, e, em todo o litoral, o saboroso milho-verde.
  • Queijo de Minas: curado, meia-cura, frescal ou branco – os queijos mineiros são produzidos com leite de vaca e alguns deles, de produção artesanal, como o da Canastra e do Serro, são considerados como Patrimônio Cultural Imaterial brasileiro.
  • Porco: consumido desde o Brasil Colônia, o porco aparece nas mais variadas preparações, como torresmo, leitão a pururuca, virado a paulista, e muito mais.
  • Massas e pizzas: de origem italiana, as massas são oferecidas nas típicas cantinas paulistanas numa variedade enorme de formatos, preparadas com uma infinidade de molhos, em combinações muito saborosas. Comer uma pizza, programa tão comum em São Paulo, especialmente no domingo à noite, com a família reunida, é hábito que se entende, pois elas são comparadas às melhores produzidas na própria Itália.

 

Região Sul

De clima mais frio, chegamos à região em que a tradição europeia é marcante não apenas na culinária, mas também na arquitetura e na forma de uso do solo, neste caso especialmente para a introdução da viticultura, hoje adaptada à Serra Gaúcha.

Ingredientes:

  • Erva-mate: o uso da erva é atribuído inicialmente aos índios do sul do continente, entre eles os guaranis, mas se expandiu pelos Pampas, chegando à Argentina e Paraguai. É muito comum encontrar nas ruas do Rio Grande do Sul pessoas que carregam suas cuias, bombas e garrafas térmicas com água aquecida a 80° para juntá-la à erva e preparar o seu chimarrão – consumido a qualquer hora, em qualquer lugar.
  • Churrasco: O churrasco tradicional gaúcho é preparado em espetos que são enfiados em valas na terra, onde ardem as brasas. Costela, paleta e matambre são as carnes mais utilizadas.
  • Uva: das uvas da Serra Gaúcha são produzidos os melhores vinhos nacionais, de qualidade hoje reconhecida e premiada internacionalmente. Mas elas também são excelentes se consumidas ao natural, em sucos, geleias, etc.

 

Referências:

CHAVES, G.; ANHESINI, C., Ingredientes do Brasil. São Paulo: Academia Brasileira de Arte, Cultura e História, 2014.




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