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Obesidade infantil: uma em cada três crianças sofre com a doença no país

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Obesidade infantil: uma em cada três crianças sofre com a doença no país


Uma em cada três crianças sofre de obesidade infantil no Brasil. Entre os meninos, 16,6% são obesos, enquanto as meninas somam 11,8%. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) preocupam pais e especialistas, afinal o problema pode causar complicações a curto, médio e longo prazo como depressão, diabetes, hipertensão e colesterol alto, além de apneia do sono – quando a criança tem dificuldade de respirar –, problemas ortopédicos e dificuldade de aprendizado.

“As causas da obesidade infantil são diversas. Desde problemas hormonais, passando por doenças genéticas, até o estilo de vida que a criança leva. Mas, grande parte dos casos deve-se ao excesso de calorias ingeridas e a falta de atividades físicas”, explica Felipe Lora, endocrinologista pediatra do Centro de Obesidade do Hospital Infantil Sabará.

De acordo com especialistas, para evitar que meninos e meninas ganham peso em excesso, é preciso estimular o consumo de água, frutas, verduras e legumes, que são ricos em fibras, vitaminas e minerais, responsáveis pela hidratação e pelo correto funcionamento do intestino, e que auxiliam na proteção e desenvolvimento da criança; carnes, ovos, leite, queijos e iogurtes, que são boas fontes de proteínas, auxiliando no crescimento da criança; e arroz, macarrão e pães (preferencialmente integrais e com menor adição de açúcar), que são boas fontes de energia.

“Sempre digo que a criança é um livro em branco no qual escrevemos uma nova página por dia, ou seja, a criança não sabe que o maracujá é azedo e precisa de açúcar para comer, ela não conhece a batata frita, o chocolate ou o refrigerante antes de alguém dar. Então, a primeira coisa que sempre digo é: pelo menos até os dois anos evite ao máximo a inclusão destes alimentos na dieta da criança”, defende Danielle Andrade, nutricionista, especialista em Segurança Nutricional e Qualidade de Alimentos e em Nutrição Materno Infantil.

Como resistir a tentação?

É comum mães e pais não resistirem às investidas das crianças e acabarem liberando alimentos pouco saudáveis. “Reforço que não devemos proibir, mas sim mostrar a necessidade, importância e frequência de consumo”, fala Danielle. Para Felipe, legumes, verduras e frutas podem ficar mais “atraentes” com pequenos truques de apresentação: “é possível montar paisagens, bonecos e figuras no prato. Isso funciona como um estímulo inicial e aproxima a criança do alimento, mas em determinados momentos do desenvolvimento há uma seleção por parte das crianças e os pais devem dar o exemplo”.

O ideal é que os pequenos tenham momentos agradáveis antes e durante as refeições. Os pais podem pedir ajuda enquanto realizam as preparações. Nestes momentos, optar por receitas que levam alimentos frescos contribui para que as crianças valorizem e perpetuem hábitos saudáveis quando adultos.

É preciso dar atenção também ao momento de comer, por isso, televisão, celular e qualquer outro meio de distração não deve estar presente durante a refeição. Essa atitude faz com a criança observe mais os alimentos, sinta melhor o sabor e textura e aprenda a respeitar os sinais de saciedade, sem comer além do necessário.

“Para aquelas crianças que estão consumindo de forma excessiva os alimentos que não contribuem com uma alimentação saudável, a dica é não deixá-los à mostra, já que as crianças tendem a escolher o que veem primeiro. Logo, é na altura dos olhos que você deve deixar as frutas, legumes e verduras (já higienizadas e cortadas, se for o caso), para que quando forem procurar algo para comer, elas sejam estimuladas com estas opções”, complementa Danielle.

Equilíbrio é o segredo

A forma mais eficaz de combater a obesidade é por meio do conhecimento dos grupos alimentares, da importância de cada um deles, das quantidades que devem ser ingeridas por refeição, dos horários a serem seguidos e das consequências de uma dieta desequilibrada. Para facilitar, as mães, pais e cuidadores podem ter em mente sempre os três pilares básicos de uma alimentação saudável:

  • Variedade: é importante comer diferentes tipos de alimentos pertencentes aos diferentes grupos: carboidratos como pães, massas, arroz; legumes e verduras; frutas; proteínas (carnes e ovos); laticínios (leite e derivados); lipídios (óleos e gorduras) e açúcares.
  • Moderação: não se deve comer nem mais nem menos do que o organismo precisa; é importante estar atento à quantidade certa de alimento e aos sinais que organismo envia de quando está satisfeito.
  • Equilíbrio: quantidade e qualidade são importantes; o ideal é consumir alimentos variados, respeitando as quantidades de porções recomendadas para cada grupo de alimentos. Ou seja, é preciso comer de tudo um pouco.

Transição nutricional

Dados recentes divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 41 milhões de crianças com até cinco anos de idade sofrem de obesidade ou estão com sobrepeso em 100 países. A projeção é que, em 2025, este número chegue a 75 milhões.

O Brasil, que saiu recentemente do Mapa da Fome da ONU e viu diminuir consideravelmente os casos de desnutrição infantil, agora tem um novo desafio: enfrentar o aumento exponencial da obesidade.

Segundo a última a pesquisa de orçamentos familiares do IBGE, divulgada em 2010, pão, biscoitos, macarrão e arroz são responsáveis por 35% das calorias consumidas pelo brasileiro em casa. Refrigerantes e doces somam 13% dos produtos consumidos, acima inclusive das carnes com 12,6%. Frutas e sucos naturais são só 2% do que é comprado, e legumes e verduras 0,8%.

Tratamento

A prática de esportes e o estímulo a brincadeiras também ajuda na prevenção da obesidade. Crianças devem gastar energia e brincadeiras como pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, pular corda, jogar bola devem ser incentivadas. “A OMS recomenda pelo menos 300 minutos (em torno de 60 minutos pelo menos cinco vezes na semana) de atividades moderadas à vigorosas por semana”, lembra Danielle.

O tratamento da obesidade infantil deve ser feito de forma multidisciplinar (pediatra, endócrino, nutricionista, educador físico e psicólogo) e multifamiliar. Não só as crianças são tratadas, mas sim toda sua família que também deverá melhorar seus hábitos alimentares e de vida.

Para saber mais

Acesse o site da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica e saiba mais sobre o Índice de Massa Corporal Infantil (IMC) e outras informações.

Conheça a campanha Obesidade Não, veja dicas e descubra como previr a doença.




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