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Quando estamos comendo, devemos apenas comer

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Quando estamos comendo, devemos apenas comer


Manter uma alimentação saudável não envolve apenas escolher o que se põe no prato. É preciso também cuidar do como se come. É o que defendem os especialistas em nutrição comportamental, que desde o final da década de 90 estão adotando técnicas de mindful eating para ajudar pacientes a estabelecerem uma relação saudável com a comida.

O conceito de mindful eating, que significa comer com atenção plena, surgiu na década de 80 adaptando conceitos do budismo, que buscavam o enfrentamento de situações de estresse. Uma década depois, a abordagem chegou ao Brasil, inicialmente para pacientes que sofriam de transtornos alimentares, já que estes pacientes apresentam um quadro intenso de estresse ao se alimentar.

“Com a percepção de que trazer o paciente para a atenção plena ao comer dava importantes resultados, essa técnica foi sendo oferecida para outros pacientes”, conta a nutricionista Fernanda Pisciolaro, coordenadora da equipe de nutrição do Programa de Transtornos Alimentares-AMBULIM-HCFMUSP e membro do Nutrição Comportamental. “Quando prestamos atenção ao momento de comer, fazemos escolhas melhores. Mas não é uma escolha racional, pensando em quanto aquele alimento tem de calorias, por exemplo. É uma escolha conectada às suas sensações, a sua saciedade, a sua digestão, ao seu estado físico. Sem julgamentos ao alimento”, enfatiza.

Segundo Fernanda, hoje, para uma grande parcela da população, a alimentação saudável está relacionada a uma imagem corporal considerada ideal, que valoriza o corpo magro. Esse grupo tende a comer fazendo julgamentos, usando a racionalidade como critério de escolha. “E nem sempre as escolhas racionais são as melhores para o nosso corpo”, pondera.

Um segundo grupo, segundo a especialista, age de forma oposta, sem pensar nas suas escolhas e sem se conectar com a sua saciedade. “Nos dois casos, falta conexão com o que o próprio corpo está sinalizando. É também uma forma ligeiramente transtornada de se relacionar com a alimentação”, analisa. Por isso, as técnicas de mindful eating tem sido cada vez mais adotadas nos consultórios de nutrição. O mindful eating associa técnicas utilizadas nas terapias cognitivas ao mindfulness (técnicas de meditação), tornando a pessoa mais consciente do ato de se alimentar.

“O estado de tensão das pessoas, suas ansiedades, suas irritações, suas alegrias e também o ambiente onde estão – as cores, o movimento, o barulho -, e os estímulos como as redes sociais, a conversa ao celular, as cobranças – tudo isso influencia e desconecta as pessoas do seu próprio corpo”, diz o nutricionista funcional Gabriel de Carvalho. “Então, comer de forma atenta aos sinais fisiológicos de fome e de saciedade que o corpo emite permite que você escolha melhor os alimentos e coma realmente o que você precisa comer”, enfatiza.

Perda de peso – Segundo Carvalho, as dietas convencionais para quem quer perder peso tem um grau de sucesso relativamente baixo justamente por falta de conexão com o próprio corpo. “Há diversos estudos que mostram que as pessoas conseguem se manter motivadas na dieta e nos exercícios por seis meses, aproximadamente. Em geral, depois de um ano, metade dessas pessoas já voltou a engordar. Comer com atenção plena muda a forma da pessoa se relacionar com a comida e por isso traz resultados melhores”, defende.

De acordo com Fernanda, o mindful eating ensina as pessoas a resgatarem o que, há tempos atrás, era intuitivo: “enquanto estamos comendo, devemos apenas comer, e precisamos comer aquilo que gostamos, em situações prazerosas, sem julgamento aos alimentos. Essa é a essência do comer do passado, sem neuroses. Precisamos resgatar isso”, finaliza.




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