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Influências climáticas na agricultura global e no Brasil

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Influências climáticas na agricultura global e no Brasil


De acordo com a FAO, o setor agrícola dos países da América Latina e Caribe sofreu 16% dos danos e perdas causados por desastres naturais, sendo que 71% dos efeitos dos desastres afetaram os cultivos, 13% as florestas, 10% a pecuária e 6% a pesca.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), entre 2003 e 2014 o custo dos desastres advindos dos fenômenos naturais na América Latina e Caribe atingiu 34.300 milhões de dólares, afetando cerca de 67 milhões de pessoas.

O impacto econômico sobre o setor agrícola pode ser devastador. Na Colômbia, a temporada de inverno de 2010-2011 gerou perdas e danos agrícolas calculados em 824 milhões de dólares;

As inundações de Tabasco, em 2007 no México, totalizaram 816 milhões de dólares de danos no mesmo setor. Apenas na Nicarágua, em 2007, o Furacão Félix causou perdas de 608 milhões de dólares na agricultura.

Este cenário, que não é exclusivo da América Latina e Caribe, levou a ONU a escolher como tema do Dia Mundial da Alimentação 2016 a questão das mudanças climáticas. Segundo o diretor geral da FAO, José Graziano,

“o que vimos nos últimos dois anos com o El Niño no leste e sudeste da África foi aterrador. Nós não podemos continuar assim, reagindo somente aos fatos consumados. Temos que encontrar maneiras de nos anteciparmos a estas catástrofes”, ressaltou.

Como o clima pode interferir na atividade agrícola?

De todas as atividades econômicas, a agricultura é a mais dependente do clima e, consequentemente, a mais sensível a sua mudança. Além de poder ser afetada negativamente, a agricultura e a pecuária são atividades que geram emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) para a atmosfera, principalmente aqueles compostos de carbono (CO2 e CH4) e nitrogênio (N2O).

 

Portanto, pode contribuir para o efeito estufa e aquecimento global, ao mesmo tempo em que pode sofrer consequências destes fenômenos.

Situação na agricultura brasileira:

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a produção total de grãos será a menor no Brasil desde 2013. Só a soja, uma das principais culturas do país, deve ter uma safra de 95,4 milhões de toneladas, 1% a menos que a anterior. O número preocupa já que o Brasil é considerado o segundo maior produtor mundial do grão, sendo também o segundo maior exportador, atrás apenas dos Estados Unidos.

Além disso, a soja também é responsável por mais de 80% da produção de biodiesel, de acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Um dos fatores responsáveis por essa queda é o clima. De acordo com Alexandre Nascimento, meteorologista da Climatempo, as condições climáticas podem atrasar o início da semeadura em 2016.

Embora já tenham sido verificadas algumas pancadas de chuva pelo país, o solo continua muito seco. A chuva vai demorar um pouco para chegar e o plantio pode ser prejudicado no Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e nas regiões Norte e Nordeste. Já Mato Grosso do Sul, São Paulo e o sul do Brasil continuam sujeitos a chuvas mais regulares”, explica.

 

Na safra 2015/2016, o fenômeno El Niño prejudicou a temporada de plantio. Esse ano, com a proximidade do La Niña, os produtores podem enfrentar novos desafios climáticos.

Ela pode interferir atrasando a chuva regular no início do plantio e trazendo chuva acima da média em março. Podemos, ainda, ter um prolongamento das precipitações no final do período úmido, o que deve influenciar negativamente a colheita”, diz.

Dos três principais estados produtores de soja do Brasil, o Paraná é o único que não será tão afetado, segundo o meteorologista. “A região pode ter clima mais favorável, inclusive em relação à temporada passada, quando teve muita chuva”, finaliza.
– >> Leia também o o conteúdo sobre: Agricultura familiar no Brasil

 

Impacto climático é problema global e de longa data:

O pesquisador da Embrapa Informática, Eduardo Delgado Assad, desenvolve pesquisas sobre o impacto das mudanças climáticas na agricultura desde 2007.

Quando fizemos o primeiro estudo, percebemos que, sem intervenções, teríamos seis culturas fortemente atingidas pelas mudanças climáticas: soja, milho, trigo, arroz, feijão e café. De 2007 para cá, as condições climáticas só se agravaram. Estamos vivendo hoje o pior cenário de emissões de gases de efeito estufa“, alerta.

O aumento das temperaturas provocado pelas mudanças no clima é o grande problema para a agricultura, não só no Brasil, mas em todo o mundo. O derretimento das geleiras do Himalaia, por exemplo, vai prejudicar o suprimento de água para China e Índia, comprometendo sua agricultura e agravando a insegurança alimentar nos dois países mais populosos do mundo.

O mesmo deve ocorrer em países da África que dependem da agricultura irrigada pelas chuvas. No continente africano, a perda de produção agrícola pode chegar a 50% em 2020, segundo projeções do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas).

O painel de cientistas estima, ainda, que os trópicos terão uma redução das chuvas com o aquecimento. Mesmo uma pequena elevação na temperatura (de 1°C a 2°C) pode reduzir a produtividade das culturas, o que aumentaria o risco de fome.

Se as temperaturas médias no Brasil subirem dois graus, nós não sabemos como as plantas vão se comportar, qual a capacidade delas de suportarem essa temperatura. E se continuarmos emitindo gases como estamos hoje, a perspectiva é que a temperatura média aumente 3,5 graus até 2050“, alerta Assad.

 

Enfrentando o problema:

Segundo Assad, uma das formas de enfrentar o problema é a adoção de sistemas de produção com baixa emissão de carbono. Uma das iniciativas neste sentido é Plano ABC (Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura), que tem por finalidade a organização e o planejamento das ações a serem realizadas para a adoção das tecnologias de produção sustentáveis que reduzam as emissões de GEE no setor agropecuário brasileiro.

Segundo Assad, estão em andamento no país pesquisas para adaptar algumas culturas a temperaturas mais elevadas.

Mas precisamos acelerar esses estudos e, principalmente, a liberação dessas espécies. A estimativa do IPCC é de que os prejuízos causados pelo aumento de temperatura cheguem a R$ 7,7 bilhões em 2020. Quanto a gente terá que perder para começar a olhar para isso?”, questiona.

 

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